“Doutor Google, qual o remédio para...?”

3, maio de 2021

Fonte: recorte do autor.

 

Acredito que você já tenha feito essa pesquisa ou algo parecido, não é?

Você sabia que a cada 100 pessoas, 77 se automedicaram nos últimos seis meses? Segundo a pesquisa feita pelo Datafolha em 2019, 47% das pessoas se automedicam uma vez ao mês e 25% faz todos os dias ou ao menos uma vez por semana.

É muito comum, agora que temos acesso fácil a internet, pesquisarmos sobre os sintomas que estamos sentindo, nos autodiagnosticar e pesquisar “qual é o remédio para…”. Mas atenção, se você não é profissional da saúde e está se autodiagnosticando e se automedicando, você pode estar cometendo um erro.

Para entendermos melhor sobre a automedicação, vamos entender o que é o medicamento?

Os medicamentos, de acordo com a ANVISA, são “produtos especiais (substâncias) elaborados com a finalidade de diagnosticar, prevenir, curar doenças ou aliviar seus sintomas, sendo produzidos com rigoroso controle técnico para atender às especificações determinadas pela Anvisa. ”

E, apesar de todos os controles técnicos, estudos e testes, não há medicamentos no mundo que não tenham efeitos adversos/indesejados. Em algumas pessoas esses efeitos poderão se apresentar e em outras não.

Dito isso, vamos agora falar sobre a automedicação.

Ela acontece quando nos autodiagnosticamos e procuramos uma forma de nos automedicar. Ou seja, procuramos algum medicamento na nossa farmacinha ou quando compramos na farmácia. Isso acontece, muitas vezes, através de indicação feita por algum amigo ou parente.

No Brasil a automedicação é cultural. É muito comum termos a indicação de familiares ou da internet. Essa procura, dentre outros motivos, se deve principalmente pela dificuldade de acesso ao sistema de saúde. Por isso, é mais fácil pesquisar e comprar o quanto antes a medicação, do que ter que dormir na fila do posto de saúde e aguardar uma consulta que talvez demore três meses para acontecer.

Os problemas da automedicação são vários, como esconder ou agravar uma doença, reações de hipersensibilidade, intoxicação, efeitos indesejados, evolução da doença, resistência aos medicamentos. E as consequências do uso incorreto de substâncias pode levar a problemas que só aparecerão a médio e longo prazo.

Veja um relato de um médico do Hospital Albert Sabin publicado em 2019 sobre a situação de uma paciente que se automedicou:

Como exemplo, cito um fato ocorrido recentemente na UTI do nosso hospital. O paciente apresentava um quadro de cefaleia (dor de cabeça) e se medicava em domicílio por meio de “dicas” adquiridas na internet e outras fontes. Após dois ou três dias de automedicação procurou o hospital, pois, não apresentava melhora do quadro e, pior, havia evoluído. Foi então diagnosticado com meningite bacteriana, insuficiência renal aguda e outras patologias que culminaram com o óbito em menos de 24 horas de internação. Se este paciente procurasse atendimento médico no início dos sintomas, fosse diagnosticado e medicado adequadamente, certamente teria sua vida salva desabafa o Dr. Sales.”.

Uma coisa importante a se pensar é que, mesmo o medicamento sendo prescrito por um profissional da saúde, não quer dizer que não ocorrerão reações. Ao usar um remédio, você precisa se atentar: à prescrição (a receita médica ou do cirurgião dentista), à forma correta de uso (se é via oral, por exemplo), à validade, ao horário, à alimentação, ao não uso de bebida alcoólica e à dose da medicação.

Em caso de dúvidas você pode procurar um farmacêutico.

O que quero dizer é que medicamento é coisa séria. É preciso ter bom senso no uso.

Se você tem uma dor de cabeça, por exemplo, e faz uso de algum analgésico que já tem costume, ok. Mas, observe se outros sintomas têm aparecido ou se a dor de cabeça, mesmo tomando o analgésico, ainda persiste. É preciso buscar a causa desta dor, pois ela é um sinal de algo não está “funcionando bem”.

Bom, espero que você tenha compreendido de que medicamento é algo que precisa ser levado a sério e sempre que puder e precisar procure orientação médica/odontológica/farmacêutica. E tenha bom senso nas buscas feita no nosso querido Google.

 

Mariana Moreira Figueira
Mestra em Ciências Farmacêuticas
Tutora do ensino a distância