As manifestações de 2013, cinco anos depois

9, julho de 2018

Os meses de junho e julho de 2013 ficaram marcados por grandes manifestações em todo o Brasil. O movimento intitulado Passe Livre teve início em São Paulo, mas logo se espalhou para outras cidades do território nacional.

 

Foto: Jose Cruz/ABr – Agência Brasil

 

“Após a repercussão negativa da extrema violência com que a Política Militar paulista reprimiu os protestos, o número de participantes dos atos cresceu vertiginosamente, indo para muito além dos simpatizantes programáticos ou ideológicos que o MPL aglutinava. A partir daí, os atos ganharam outra dimensão e a pauta pelo transporte público e gratuito se juntou a diversas outras insatisfações e reivindicações que não têm sido bem representadas pelos políticos e partidos tradicionais”, explica o Doutor em Ciência Política e professor do Mestrado em Sociologia Política da Universidade Vila Velha, Paulo Edgar Resende.

Encabeçado por estudantes paulistas que se opunham ao aumento do valor das passagens de ônibus, a frase “não é pelos vinte centavos” foi gritada em busca de um país melhor, com transporte de qualidade e preço acessível a todos. 

Segundo o Jornal do Brasil, as mobilizações foram apoiadas por mais de 80% dos brasileiros e seu impacto foi comparado ao episódio do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, no ano de 1992.

Confira a reflexão do professor da UVV, doutorando em História (PPGHIS – UFES) e membro da Transparência Capixaba, Rafael Cláudio Simões, sobre este episódio histórico, que acaba de completar 5 anos.

 

“As manifestações de junho e julho de 2013 foram um lindo momento de nossa história. Lindo num sentido político bastante concreto. Por um “momento”, pareceu que os cidadãos negavam a afirmação de Benjamin Constant (1819) de que existiria uma liberdade dos antigos, que consistia na liberdade política, da deliberação dos assuntos públicos de forma coletiva, e uma liberdade dos modernos, que se definia pela liberdade individual.

Nas multifacetadas e multicoloridas manifestações de 2013, os cidadãos desse país pareciam dizer que queriam as duas liberdades, buscavam um controle dos assuntos da vida coletiva e exerciam isso das formas mais livres possíveis, expressando, da maneira que sentiam, as suas demandas.

Um aspecto central das manifestações, como inúmeras outras que varreram o mundo entre fins de 2010 e meados de 2013, da Islândia à Tunísia, da Espanha ao Iêmen, dos EUA ao Egito, sem esquecer o Brasil, era o questionamento dos poderes políticos e econômicos. Uma crítica à arrogância desses poderes, de seu cinismo, do seu desprezo aos problemas reais da vida real das pessoas reais. Disseram, de inúmeras maneiras, nas mais variadas línguas: CANSAMOS!

Esse é um movimento/momento que ainda não acabou. Estamos vivenciando uma disputa por suas memórias e suas políticas, entre outras, por uma visão, de cunho autoritário, que quer ver nas manifestações um simples desancar da política, que clamava por ordem, e uma outra que percebe naqueles momentos uma crítica à falta de democracia, de participação, de preocupação com os temas que dizem respeito às vidas dos cidadãos, demandando um espaço, cada vez mais amplo, de poder aos cidadãos. As eleições desse ano serão mais um passo nessa disputa.”