EUA e Coreia do Norte sinalizam fim de rivalidade após acordo de desnuclearização

13, junho de 2018

Professor do curso de Relações Internacionais da UVV comenta encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un

 

Um encontro histórico ocorrido nterça-feira, 12 de junho, pode ter marcado o início de tempos mais otimistas para a diplomacia global. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se com o ditador norte-coreano Kim Jong-un, num momento que, supostamente, põe fim a uma série de trocas de farpas – muitas delas publicamente – e a uma tensão que, sobretudo a partir da eleição do magnata norte-americano, fez o mundo todo temer por uma iminente nova guerra mundial.

 

Foto: Twitter do presidente norte-americano, Donald Trump

 

As duas lideranças encontraram-se em Singapura para firmar um acordo que visa acabar com o arsenal bélico nuclear acumulado pela Coreia do Norte ao longo dos anos. Em um clima que em nada se parece com o de alguns meses atrás, Trump e Kim Jong-un trocaram elogios e mostraram-se bastante positivos em relação à eficácia do acordo. 

Para o coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Vila Velha, professor Daniel Duarte Flora Carvalho, o momento é emblemático e revela alguns interesses implícitos em torno do real objetivo do pacto de desnuclearização. 

“Da parte de Trump, o encontro trouxe a possibilidade de mostrar à opinião pública americana que é possível ‘fazer a América grande novo‘. Após as polêmicas da retirada do Acordo de Paris sobre o Clima e do acordo nuclear com o Irã, além do embaraço causado no G7, Trump agora tem algo para sua propaganda: o compromisso do ‘homem foguete‘ com a desnuclearização da Península Coreana. Para a Coreia, é uma nova garantia de segurança”, explica. 

Os termos assinados tanto por Trump quanto por Jong-un compõem um diretório de compromissos que, além de reduzir os riscos de ataques globais altamente destrutivos no futuro, visam estabelecer, enfim, a paz no território coreano, que há décadas vive em constante ameaça devido à má relação entre o lado norte e o lado sul. 

Os primeiros passos para o fim da tensão entre as Coreias, a propósito, foram dados há pouco tempo, quando Jong-un e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, encontraram-se na fronteira que separa as duas nações.

 

Foto: Korea Summit Press Pool

 

Os compromissos acertados entre Estados Unidos e Coreia do Norte foram agrupados em quatro grandes medidas. Segundo o G1, são as seguintes:

 

  • Os Estados Unidos e a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) se comprometem a estabelecer novas relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, de acordo com o desejo de paz e de prosperidade dos povos dos dois países;

 

  • Os Estados Unidos e a RPDC unirão seus esforços para construir um regime de paz duradoura e estável na Península Coreana;

 

  • Reafirmando a Declaração de Panmunjom, de 27 de abril de 2018, a RPDC se compromete a trabalhar para a desnuclearização completa da Península Coreana;

 

  • Os Estados Unidos e a RPDC se comprometem a recuperar os restos mortais de prisioneiros de guerra e desaparecidos em ação, incluindo a repatriação imediata daqueles já identificados.

 

“Trump entrará para a história como o primeiro presidente dos Estados Unidos a se encontrar com seu homólogo norte-coreano. E Kim ficará marcado como aquele que soube como se aproveitar da fraqueza doméstica e do desespero de um presidente americano para fortalecer sua imagem. É importante destacar, entretanto, que não há menções aos direitos humanos na declaração”, avalia o professor Daniel Carvalho. 

A desnuclearização da Coreia do Norte acontecerá aos poucos. Como não se sabe ao certo a quantidade de aparato bélico nuclear que o país possui, não é possível determinar quanto tempo, exatamente, levará até que todos os compromissos firmados entre Donald Trump e Kim Jong-un sejam cumpridos.

Por via das dúvidas, por ora, os Estados Unidos manterão as sanções econômicas impostas contra a nação coreana. Embora os sinais indiquem boa vontade entre ambos, as restrições comerciais seguem ativas para incentivar o cumprimento do acordo por parte de Jong-un.