Pesquisadores da UVV realizam projeto para preservação de onças-pintadas

30, janeiro de 2019

A onça pintada é o símbolo da fauna brasileira. O maior felino da América está ameaçado de extinção, principalmente em seu habitat natural: a Mata Atlântica. Hoje, apenas 7% do território da mata apresenta boas condições para abriga-lo. A parte restante da floresta se restringe a um território 11% menor do que sua cobertura original.

O estado do Espírito Santo é conhecido por ser um dos locais que ainda acomoda os animais, mesmo que o cenário seja crítico. Esses fatores têm causado o isolamento das espécies em pequenas populações, fazendo com que aumente a vulnerabilidade à extinção e também os laços de sangue.

É neste cenário que surge o Projeto Felinos, criado pela professora do mestrado em Ecologia de Ecossistemas, Ana Carolina Srbek de Araújo, com o objetivo de conhecer o status da população de onças-pintadas presentes na Reserva Natural Vale, de Linhares. Por meio de estudos da ecologia e proposição de medidas e estratégias de manejo, o projeto busca a conservação do animal, como também de suas presas. De acordo com Srbek, estima-se que o Bloco Linhares-Sooretama abrigue não mais do que 20 onças-pintadas na atualidade.

Na atual circunstância da mata e dos animais, ocorre ainda a redução da variabilidade genética, redução das taxas de reprodução e sobrevivência, problemas ecológicos e biológicos, além de limitar a habilidade das populações de se adaptar a alterações ambientais em longo e médio prazo.

Para obter o registro dos animais é utilizado a armadilha fotográfica, que capta os animais por meio de movimento. Também é analisado qualquer vestígio de marcação territorial, como fezes, pegadas e arranhados.

                                                                                                          Imagens capturadas por armadilha fotográfica

“As onças-pintadas capixabas enfrentam uma situação complexa e delicada, sendo necessária a implementação de ações emergentes de conservação para proteção efetiva dos últimos indivíduos”, afirma Ana Carolina.

O projeto é ordenado por meio da interação das onças-pintadas e onças-pardas e avaliação do estado de saúde geral dos indivíduos, como parasitas intestinais, vírus, parâmetros sanguíneos, contaminantes e sua reprodução.

Além da participação da professora, o projeto conta com alunos de Iniciação Científica, dos cursos de Ciências Biológicas e Medicina Veterinária, e alunos de Mestrado dos Programas de Pós-graduação em Ecologia de Ecossistemas e Ciência Animal.